Unesco declara Caminhos Incas como patrimônio da humanidade

26/06/2017

Indígenas que fazem a manutenção da Ponte Q’eswachaca, e o reconhecimento da Unesco. Foto: Cuzco Noticias
Indígenas que fazem a manutenção da Ponte Q’eswachaca, e o reconhecimento da Unesco. Foto: Cuzco Noticias

São mais de 27 mil km de estreitas vias construídas há centenas de anos - talvez há mais de mil, como supõem alguns estudiosos -, em rotas que seguem sinuosos contornos entre milhares de montanhas da Cordilheira dos Antes, passando por territórios que hoje são de seis países diferentes, mas que foram feitos quando a região noroeste do continente era dominada por um único e pujante império.

Em 2007, esses seis países (Peru, Equador, Bolívia, Argentina, Chile e Colômbia), iniciaram uma campanha em conjunto para o reconhecimento da rede viária inca como patrimônio da humanidade, por parte da Unesco. Algo que foi oficializado no domingo, 22/06/17, em cerimônia realizada na região de Quehue, no sudeste do Peru, onde está localizado um dos trechos mais conhecidos dos caminhos, a Ponte Q´eswachaca - uma estrutura feita com barbantes de fibra vegetal, de 28 metros de comprimento. Estiveram presentes no evento lideranças indígenas das comunidades Winch´iri, Perqaro, Collana e Chaupibanda.

Os Caminhos Incas são parte da herança dos povos originários do continente, escondida no maior labirinto natural do mundo. E se no Velho Mundo todos os caminhos levavam a Roma, por aqui todos os caminhos levavam a Cusco, a principal cidade do sul do Peru, próxima às ruínas de Macchu Picchu, cidade símbolo do Império Inca, também parte do que restou de uma das mais importantes civilizações pré-colombianas.


Fonte: Wikipedia
Fonte: Wikipedia

Conhecidos como Qhapaq Ñan, em seu idioma original, os caminhos vão desde o sul da Colômbia, cortam o Equador e o Peru, passam pelo lago Titicaca, pelas províncias do oeste da Bolívia e da Argentina, até o norte do Chile. Alguns trechos em regiões montanhosas do Peru, ou próximos da tríplice fronteira entre Bolívia, Chile e Argentina, chegam a lugares com altitude superior a 5 mil metros.

Um desafio digno dos grandes aventureiros, mas que requer preparo fisico para encarar o ar rarefeito, as grandes distâncias - são cerca de 5,2 mil km entre o ponto mais ao setentrional, no sul da Colômbia, e o mais austral, no norte do Chile - e as trilhas acidentadas, além da coragem de cruzar as partes mais extremas, como as antigas pontes de sisal. Essa aventura é só para as e os fortes. Seja!


Victor Farinelli - 23/06/2017

Originalmente publicado em: http://redelatinamerica.cartacapital.com.br/unesco-declara-caminhos-incas-como-patrimonio-da-humanidade/  - Acesso em 26/06/2017.