Caminhos de Peregrinação no Brasil

07/08/2017

Já se imaginou vivendo uma aventura que desafie seus limites físicos e emocionais? E que leve a uma nova reflexão sobre a vida? Essas talvez sejam as propostas do caminho de Santiago de Compostela na atualidade.

Para quem nunca ouviu falar sobre este caminho, trata-se de uma rota medieval de peregrinação com mais de 11 séculos de existência, cujo percurso mais famoso fica na Espanha e que hoje em dia é frequentado por desportistas, turistas, esotéricos, devotos, pessoas de todas as idades e nacionalidades. Mesmo com tamanha diversidade, o que encontram é a si mesmos.

Apesar de Santiago de Compostela ser a rota peregrina mais conhecida, são muitas pelo mundo, para as mais diversas religiões, como o caminho de Lhasa (Tibet), caminho pelos 88 templos de Shikoku (Japão), a Via Crucis (Jerusalém) e o santuário de Vaishno Devi (Índia).

Independente de fé, são lugares extraordinários, cujos caminhos favorecem experiências de crescimento pessoal, levando a mente para um lugar infinito. Percorrer alguns desses caminhos faz com que a pessoa sinta a vida de um modo diferente e pleno, vivendo somente com o que é possível carregar em uma mochila, se desligando totalmente da vida cotidiana.

A boa notícia é que não é preciso cruzar o Atlântico para se maravilhar com esses rumos. Pois o Brasil também possui rotas de peregrinação, onde é possível vivenciar experiências únicas e se maravilhar com a grandiosidade e diversidade de nosso país.

Entre tantos caminhos, vou destacar Caminho do Sol, Passos de Anchieta, Caminho da Fé, Caminho das Missões, Caminho dos Anjos e Caminho da Luz. Este último, tive a oportunidade de percorrer em 2014, e sem sobra de dúvidas foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

O Caminho da Luz possui quase 200 km e passa por lugares maravilhosos pelo interior de Minas Gerais. O término do percurso é no Alto do Pico da Bandeira, 3º ponto mais alto do país. E certamente é um grande desafio devido ao relevo mineiro.

Realizei o caminho sozinha, e foi realmente muito revelador conviver comigo mesma durante 7 dias, tempo mínimo para quem realiza o percurso a pé. Para quem tiver tempo, vale a pena demorar mais no caminho, pois cada dia é possível se deparar com atrativos espetaculares, como cachoeiras, cavernas, montanhas, estradas antigas e rios.

O Caminho dos Anjos também fica em Minas Gerais, pesados 234 km percorridos em nove dias, mas não é credenciado. O caminho é para os mais aventureiros, mas que não deixa a desejar no quesito paisagens. Para percorrê-lo, é preciso pesquisar em sites, pois a página oficial foi desativada.

Caminho das Missões fica no Rio Grande do Sul e passa pelas antigas estradas missioneiras que ligavam as Reduções Jesuítico-Guarani. Destaca-se as Ruinas de São Miguel Arcanjo, sítio arqueológico declarado Patrimônio Histórico Cultural Mundial pela UNESCO. A quilometragem varia, pois existem roteiros de 3, 6, 8 e 14 dias. O mais extenso possui 338 km.

Os andarilhos que pretendem ir para o Espírito Santo, têm como opção Passos de Anchieta. São 100 km, em 4 dias, refazendo a caminhada de Padre José de Anchieta durante sua missão no primeiro século de história do Brasil. Os sítios históricos são os principais atrativos da rota.

O Caminho da Fé fica no estado de São Paulo, e vai de Águas da Prata até Aparecida, passando pelo sul de Minas Gerais, em um total de 497 km. Leva-se entre 17 e 20 dias de caminhada. O ponto de chegada é a Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

E finalizando os percursos citados, o Caminho do Sol, com 240 km bem estruturados, também em São Paulo.

Com exceção do Caminho dos Anjos, os demais possuem credenciamento e melhor organização. Em todos os caminhos existe a possibilidade de fazer de bicicleta, cortando o tempo pela metade. Mas vale lembrar que é preciso preparo físico.

Recomenda-se que se faça o caminho com credenciamento. Pode custar um pouco mais caro, mas compensa por ter toda uma infraestrutura a disposição quando se chega cansado ao fim do dia no local de pernoite. Além de dar uma certa segurança, principalmente para quem percorre a estrada sozinho. O peregrino que conseguir finalizar o trajeto também recebe um certificado. Há quem não dê importância, mas é legal para ostentar na parede da sala.

Opções não faltam. O que falta é se preparar e escolher uma boa rota para aumentar seu currículo de experiências. Independente de religião, estar ligado a um caminho em sua forma mais pura, ou seja, caminhando, proporcionará uma vivência única e uma verdadeira lição de desapego.

Por: Ariadne Dan'Chior

Publicado originalmente em: http://bit.ly/2wCfa3n