10 Lugares interessantes para conhecer na Praça XV

27/10/2016

Palco de muitas transformações, a Praça XV passou de uma pacata ocupação aos pés do Morro do Castelo, conhecida como a Várzea da Nossa Senhora do Ó, no início do século XVI, para o movimentado Boulevard Olímpico no Século XXI.

Capital do país por 197 anos, de 1763 até 1960, o Rio de Janeiro evoluiu de uma pequena cidade litorânea para a capital do Império português, com a chegada de D João e a sua corte e, ao longo dos séculos, cada centímetro da Praça XV ficou impregnado de fatos sobre a história do Brasil.

Ermida de Nossa Senhora do Ó – Gravura de 1580
Ermida de Nossa Senhora do Ó – Gravura de 1580

Gravura disponível em: http://portalgeo.rio.rj.gov.br/EOUrbana/PracaXV_txt.htm 

Palco de muitas transformações, a Praça XV passou de uma pacata ocupação aos pés do Morro do Castelo, conhecida como a Várzea da Nossa Senhora do Ó, no início do século XVI, para o movimentado Boulevard Olímpico no Século XXI.

Capital do país por 197 anos, de 1763 até 1960, o Rio de Janeiro evoluiu de uma pequena cidade litorânea para a capital do Império português, com a chegada de D João e a sua corte e, ao longo dos séculos, cada centímetro da Praça XV ficou impregnado de fatos sobre a história do Brasil.

Praça XV - 2016
Praça XV - 2016

Vamos apresentar aqui algumas informações básicas sobre os diversos atrativos históricos e culturais presentes na região da Praça XV, e seus arredores, com o objetivo de permitir a organização de um roteiro para aproveitar melhor o seu tempo nesta nova área de lazer da cidade. Nossa intenção não é esgotar o assunto, mas despertar o seu interesse em conhecer mais sobre a rica história do Brasil e do Rio de Janeiro. 

1. Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo

  • Sua origem está ligada a uma antiga capela dedicada à Nossa Senhora do Ó, doada aos carmelitas, quando de sua chegada em 1590. A construção da Igreja atual começou em 1761, lideradas pelo Mestre Manuel Alves Setúbal e terminaram em 1770.

  • Em 1808, com a chegada de D João VI ao Brasil, a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi promovida a Capela Real Portuguesa e a Catedral do Rio de Janeiro. Após a Independência ela passou a ser chamada de Capela Imperial.

  • A sua beleza, a proximidade com o Paço Real e com o Convento do Carmo, facilitavam o deslocamento da família Real para as solenidades. A então catedral foi palco de eventos históricos, tais como: A sagração de D João VI como Rei de Portugal, em 1816, o casamento de D. Pedro I com D Leopoldina. A sagração como imperadores de D Pedro I e D Pedro II e o casamento da Princesa Isabel.

  • O acabamento interno do templo foi feito em estilo Rococó pelo Mestre Inácio Ferreira Pinto. Seu frontão pertence ao estilo barroco. Ao longo do tempo foram feitas modificações na fachada da igreja: Em 1822, foi acrescentado um frontão no estilo clássico projetado pelo arquiteto português Pedro Alexandre Cravoé.

  • Após a proclamação da República, a igreja recebeu o acréscimo de uma torre, no estilo eclético, no lado da Rua Sete de Setembro numa reforma comandada pelo Cardeal Arcoverde. A torre possui as armas, o chapéu cardinalício, relógio, sinos, e uma imagem de São Sebastião, feita em mármore Branco, com a altura de 4,5 m.

  • A igreja foi tombada pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, funcionou como catedral do Rio até o ano de 1976, quando houve a mudança para a Catedral Metropolitana da Av. Chile. Os restos mortais de Pedro Álvares Cabral foram trazidos de Santarém, Portugal, para a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, ondem permanecem até hoje. 

2. Paço Imperial

  • Serviu como residência e sede administrativa dos Vice Reis, que governavam a província em nome de Portugal. Foi nele que D. João VI e a sua corte moraram logo que chegaram ao Brasil, antes de se mudarem para São Cristóvão.
  • Foi construído no período de 1738 a 1743. José Fernandes Pinto Alpoim foi o responsável pelo seu projeto, durante a administração do Governador Gomes Freire, o Conde de Bobadela. O Rei de Portugal, D João V, não permitiu que o edifício recebesse o nome de Paço, ou Palácio, pois esta denominação era exclusiva dos Reis. O local seria chamado de Casa do Governador.
  • Logo depois, a Casa do Governador começou a ser conhecida como Casa de Despachos do Vice-Reis ou Paço dos Vice-Reis. Isto aconteceu a partir do momento em que a sede do Vice-Reinado do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro.

  • Após a chegada da Família Real portuguesa, o seu nome foi alterado para Paço Real e quando a independência foi proclamada, Paço Imperial. Em 1822, no episódio conhecido como o Dia do Fico, D Pedro I anunciou de uma das sacadas do que permaneceria no Brasil. Em 1888 a Princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil

3. Chafariz da Pirâmide

  • No século XVIII, a função do chafariz era ser uma fonte de água para abastecer a população. O Chafariz da Pirâmide, ou do Mestre Valentim, fornecia água para os navios ancorados no cais do Largo do Paço (Atual Praça XV) para o Paço Real e a sua vizinhança. Na época de sua construção, ele ficava bem perto do mar.
  • Construído em cantaria, ou pedra talhada, era uma edificação imponente para a época. Em seu teto há uma pirâmide triangular, com uma esfera armilar alçada por uma coroa imperial feita em bronze. Pilastras circulares arrematam a junção das fachadas, e são finalizadas por torres unidas por uma balaustrada.
  • Na parte voltada para o mar, há uma porta onde acima se pode observar uma placa comemorativa pela inauguração sua inauguração, que menciona a data em que ela aconteceu.
  • Obra de um dos principais artistas brasileiros da segunta metade do século XVIII, o Mestre Valentim, que trabalhou com arquitetura, paisagismo, escultura, entre outros. Ele fez do estilo rococó a sua característica mais marcante. Entre outros lugares, o trabalho de Valentim também pode ser apreciado no Mosteiro de São Bento e no Passeio Público.

4. Convento do Carmo

  • Após fundar o Convento do Carmo na cidade de Santos, o Frei Pedro Viana veio para o Rio de janeiro em 1589 e ocupou a Capela de N. S. do Ó. Em 1611, os carmelitas receberam a doação de um terreno ao lado da capela e puderam iniciar, em 1619, a construção do Convento.
  • Com a chegada do Príncipe Regente, D João VI, o convento foi confiscado para servir de moradia para a Rainha Maria I que viveu ali os seus últimos oito anos de vida. Para fazer a ligação entre o Paço e o Convento, foi construído um passadiço ligando as duas construções.
  • Neste prédio funcionaram o Real Gabinete de Física, o depósito do Palácio e a Real Biblioteca, organizada com os livros trazidos de Portugal pela família Real. Posteriormente a Real Biblioteca tornou-se a Biblioteca Nacional.
  • O Convento do Carmo, uma das maiores edificações da época da colônia, mas diferentemente dos costumes da época, nunca funcionou como um claustro. O convento sofreu várias reformas, o terceiro andar foi construído na segunda metade do século XVIII e possui janelas com verga superior curva.

5. Igreja da Ordem Terceira do Carmo

  • A construção desta igreja tem o seu projeto atribuído ao construtor português Manuel Alves Setúbal. Sua planta sofreu alterações feitas pelo Frei Xavier Vaz de Carvalho. As obras tiveram início em 1755 e foram finalizadas em 1770, mas as torres não foram terminadas.
  • As torres existentes hoje, foram construídas pelo arquiteto Manuel Joaquim de Melo Corte Real, no período de 1847 a 1850. Sua fachada revestida em pedra e seus janelões, colunas e portais têm a influência do estilo pombalino. As fachadas totalmente em pedra não se tornaram um hábito na cidade, talvez pelo fato da coloração das pedras cariocas ser mais escura.
  • A igreja possui nave única com corredores laterais, capelas laterais, capela-mor retangular e A talha dourada no estilo rococó. A decoração interna, foi feita pelo entalhador Luiz da Fonseca Rosa, auxiliado por Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim.
  • O portal principal e o lateral, foram feitos em pedra de lioz portuguesa, e possuem medalhões com a figura da Virgem e o Menino Jesus, feitos por escultores de Lisboa. Foram colocados em 1761. 

6. Arco do Teles

  • Construído ao redor do ano de 1743, o Arco do Teles é contemporâneo da Casa dos Governadores, projetado por José Alpoim, que foi o responsável pelo projeto e construção do Paço Real. O Arco é uma passagem da Praça XV para a Travessa do Comércio, até a Rua da Lapa dos Mercadores.
  • O prédio foi construído pelo Dr. Francisco Barreto Teles de Menezes e abrigava as luxuosas residências de sua família, que era a responsável pelo Juizado de Órfãos e outras varas de Justiça. Naquela época, o comando dos Juizados não era definido por concurso público, passava de pai para filho e de genro para sogro. Permanecendo como monopólio da família por muitos anos.
  • Em 1790, o Senado da Câmara funcionava no prédio e um grande incêndio destruiu todo o local. Toda a cidade se reuniu para combater as chamas que eram tão fortes, que até o Vice Rei, o Conde de Resende participou dos esforços para apaga-lo. Muitos arquivos e documentos foram perdidos neste incêndio.
  • Antes de ficar famosa, Carmem Miranda morou num sobrado na Travessa do Comércio. A sua mãe era dona de uma pensão e o seu pai um barbeiro. Depois de um período de ostracismo, o Arco do Teles foi tombado pelo Patrimônio histórico e hoje tem vários restaurantes e bares com música ao vivo.

7. Igreja de N.S. da Lapa dos Mercadores

  • A origem deste templo vem de um pequeno oratório erguido na esquina da rua Santa Cruz, por comerciantes e moradores em 1743. No dia 20 de Junho de 1747 foi organizada uma irmandade, com o objetivo de construir uma igreja em devoção à N. S da Lapa dos Mercadores.
  • O documento de autorização para a construção, chamado provisão-régia foi expedido e as obras começaram em novembro de 1747. O templo ficou pronto na data de 6 de agosto de 1750, e os trabalhos para a decoração externa da igreja se estenderam de 1753 a 1755. Somente em 1766 a obra foi concluída.
  • Durante a Segunda Revolta da Armada brasileira, 1893, o couraçado Aquidabã disparou um tiro de canhão que atingiu a torre sineira derrubando a imagem da santa, que resistiu à queda de mais de 25 metros de altura, sofrendo pequenos danos. Este foi considerado um grande milagre pelos devotos.
  • A imagem da santa e o projétil que a atingiu estão expostos na sacristia. Várias reformas foram executadas neste templo no período entre 1869 e 1879. O primeiro carrilhão da cidade foi instalado na torre desta igreja, antes mesmo do carrilhão da Igreja de São José.

8. Palácio Tiradentes

  • Inaugurado em maio de 1926, o Palácio Tiradentes foi construído onde antes havia o prédio da Cadeia Velha, que abrigava a sede da administração municipal e a prisão. Antes de ser executado, Tiradentes esteve preso neste local.
  • Durante o tempo do Império, e logo no início do período republicano, a Cadeia velha foi transformada em sede da Câmara dos Deputados. No ano do centenário da independência, 1922, Presidente Epitácio Pessoa tomou a decisão de erguer um novo prédio para a Câmara dos Deputados.
  • De 1922 até 1960, quando a Capital Federal foi transferida para Brasília, o Palácio funcionou como Câmara dos Deputados. A única interrupção aconteceu durante o período do Estado Novo, de 1937 a 1945, quando o Legislativo foi dissolvido. Em 1939, começou a funcionar ali o DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda.
  • Após transferência da Capital para Brasília, o Palácio Tiradentes ficou abandonado até que o processo de fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro, permitiu que ele se transformasse na sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). 

9. Igreja de São José

  • As origens da Igreja de São José remontam o século XVII, quando os moradores decidiram construir uma capela para homenagear o santo de sua devoção. Em 1808 teve início a obra do templo que ficou pronto em 1842 e sofreu várias reformas que alteraram a sua forma original.
  • Uma grande dificuldade para se obter informações sobre construção da velha capela é a falta de documentação disponível, pois durante a invasão comandada por René Duguay-Trouin, em 1711, a igreja foi saqueada pelas tropas francesas. A grande atração da Igreja de São José são os seus sinos, que possuem uma sonoridade muito agradável. Em 1883 foi montado um carrilhão nesta igreja.
  • De estilo barroco tardio foi construída pelo Mestre Félix José de Souza e pelo arquiteto João da Silva Muniz. Seu templo de nave única, tem corredores laterais com um púlpito e três tribunas. A talha de seu interior foi esculpida por Simeão de Nazaré, discípulo do Mestre Valentim e tem o estilo Rococó.
  • No altar, a imagem de São José com o menino Jesus se destaca por sua beleza. Ela veio da França, como doação do Comendador José Pinto de Oliveira. O sacrário e a pia batismal fizeram parte do patrimônio da Igreja de São Sebastião, destruída quando o Morro do Castelo foi arrasado.

10. Museu Histórico Nacional

  • Na época da fundação da cidade, 1565, a ponta entre as praia de Santa Luzia e Piaçaba, era considerada estratégica para a defesa da Baía da Guanabara. Mem de Sá decidiu construir em 1567 a Bateria de Santiago que foi ampliada em 1603, tornando-se um Forte.
  • A partir de 1693, o Forte passou a funcionar como prisão para escravos indisciplinados, por isso recebeu a denominação de Ponta do Calabouço. A necessidade de um lugar para guardar os armamentos (trem de artilharia) levou o Conde de Bobadela a construir ao lado do Forte, um edifício chamado de Casa do Trem, 1762. Estes armamentos ajudavam na defesa da cidade contra os invasores.
  • Em 1764 a Casa do Trem tornou-se o Arsenal de Guerra, com o objetivo de fabricar munições e consertar as armas de fogo. Esta utilização ampliou-se com a chegada da família real e a independência.
  • O Museu Histórico Nacional foi criado em 1922, por um decreto do Presidente Epitácio Pessoa e abrigou a Exposição do Centenário da Independência. Nesta instituição foi organizado o primeiro curso de museologia do Brasil, que ajudou a difundir a criação de muitos museus no país.

Atualmente a Praça XV possui múltiplas funções na vida do carioca. Além de sua importância histórica, é um dos pontos de passagem para quem deseja ir para Niterói utilizando as Barcas. A partir da inauguração do Boulevard Olímpico, ela tem um grande potencial de se tornar uma das áreas de lazer preferidas da cidade. Não perca tempo, venha conhecer a História do Brasil passeando pelos locais onde ela aconteceu.

Marcos Vichi

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